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Apr 18, 2010

Alguns conseguem...ser o gênero


O conceito de gênero é um dos mais curiosos da espécie humana. Inicialmente ligado ao sexo, logo podemos desconstruí-lo em pedaços tão complexos que fogem à própria razão e entendimento fácil.

Meninos usam azul, meninas rosa. Calças e saias. O grave e o suave. Características intrínsecas de cada sexo, com as quais é difícil teorizar muito sem cair na psicanálise, no símbolo.

De certo não interessa descobrir tudo, até porque as diferenças entre os sexos existem e elas sempre serão respeitadas. O problema acontece quando tentamos inutilmente classificar e banir os seres que ultrapassam o limite do que se deve ser (ou do que se deveria).

Esse limite não existe na prática, só na convenção. Não se restringe apenas em homens efeminados e mulheres firmes; vai à questão do “sentir”. Os transexuais continuam sendo o maior desafio da nossa sociedade neste quesito. Poucos, mas também corajosos, há muitos que passam anos e não se submetem a nenhuma cirurgia, a não ser a de retirada dos seus próprios sentimentos, no dia-a-dia de um mundo massificante.

Feb 16, 2010

Alguns conseguem...não fazer drama


Gabourey Sidibe, a Claricee do filme “Preciosa”: sofrer é pouco

O drama frequentemente obscurece as questões reais. Isso é um fato mais do que evidente na história das relações. Aliás, o que seria do sofrimento sem o drama? Uma noiva sem um vestido, um toureiro sem o lenço vermelho, um choro que não derrama nenhuma lágrima.

Sofrer é inerente à condição humana, mas sua demonstração não. Dependendo da cultura, assistimos inesquecíveis formas de interiorização das emoções (vejam os budistas) como também podemos testemunhar verdadeiras indústrias de lenço de papel e água com açúcar. Passar por passagens lamentáveis na vida é uma questão de como aprendemos a ultrapassá-las, uns com muita e outros com nenhuma elegância.

Expressar os sentimentos é importante, mas podemos ter diferentes paradigmas. Ouvir toda a vizinhança em coro uníssono quando se termina um relacionamento pode ser brega, mas é mais confortável e sempre teremos um ombro amigo. Enquanto os outros, os que enfrentam solitariamente uma “coroa de espinhos”,podem querer esperar que os outros também o façam e negar-lhes compaixão. Isso é relativo.

O importante é reconhecermos nas tragédias o que fica e, reativar o mais depressa possível. Não significa que não devemos chorar os mortos nem deixar de assoprar as feridas, mas é um dom saber passar por isso sozinho.