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Aug 1, 2010

Alguns conseguem...pertencer


Admiro os que sabem pertencer. Os que ouvem, calam, sorriem e seguem – nesta ordem. Comportar-se bem é um dom não só de interpretação, mas de auto controle. É uma catarse ao contrário. Não contestar é, além de uma boa técnica de sobrevivência, uma forma de liberdade.

Algumas palavras nos remetem ao sentimento de submissão: o bairro, a escola, a igreja, o grupo, a sociedade. O óbvio é estar dentro e não fora. É humano estar repetindo os seus semelhantes e anti-humano não reproduzir o sistema.

O outro lado da história é a teimosia, a necessidade de ir contra. Não a revolução – que é um ode à uma outra igualdade – mas a desobediência solitária passível de punição. É não estar feliz quando todos estão sorrindo, mas fazer sorrir de constrangimento, estar feliz com a transgressão e não com a afirmação de valores. Utopia? Talvez. Mesmo os mais singulares seres com o tempo cederam ao que é convencional.

Os artistas tradicionalmente são bons exemplos para os maus exemplos. A arte é em si uma tentativa de fuga. O desafio é compreender quando ela é de fato um grito sincero ou mais uma voz de um coro. Esse tipo de entendimento vai muito de cada pessoa e cabe à crítica nos conscientizar do todo. O problema é que a própria crítica também está dentro de um círculo, assim como os anarquistas, punks, os flaneurs, os loucos, os índios e todos aqueles que acreditam estarem sozinhos neste mundo. Paga-se um preço alto por não se pertencer, o preço da não existência.

Nov 22, 2008

Alguns conseguem...ser aceitos

À esquerda, Sean Connery em 007 Casino Royale , à direita, Daniel Craig, o novo 007. Dois exemplos de carismas diferentes dentro do mesmo personagem.

Vivo pensando o que faz uma pessoa aceita ou não no seu micro cosmo. Conheço exemplos diversos de sucesso profissional ou emocional. No entanto, consigo distinguir claramente quem venceu pelo lado técnico ou quem venceu “com a cara”.

Deixe-me explicar melhor. Quem não se lembra daquele nerd que sentava lá na frente na sala de aula? Sim, ele venceu. Hoje está com um bom emprego, concursado, feliz. Mas ele venceu como um bom técnico, como alguém que impõe seu conhecimento e está aí da maneira mais burocrática possível.

Do outro lado, temos o bad boy, o persuasivo, aquele que apenas sorri e todos o acompanham. Temos vários exemplos na literatura e no cinema.

Não sei qual muito bem qual é a seleção natural (caráter, personalidade, cultura) ou material (berço de ouro) que fazem as coisas serem assim, ou seja, as portas que se abrem ou se fecham para joão ou josé. Só concluo que as coisas se tornam mais fáceis quando encontramos do outro lado uma mão estendida e um sorriso aberto, um café quente ou roupa de cama lavada, alguém para nos ajudar, mesmo sem saber qual preço será cobrado depois.